sexta-feira, 19 de março de 2010

13:29


São 12h38. Eu saio às 13h30. A cada dia que passa, eu tenho mais certeza que o tempo é uma ilusão. E acho que o ilusionista que cuida disso é um pervertido. Brincar assim com um cidadão de bem, trabalhador, e que só quer ir pra casa almoçar é doentio. Sim, eu imagino esse cara do tempo como um velhinho feio com apenas três dentes rindo de mim enquanto escrevo isso.


Pronto, já são 12h53. Mas ainda não estamos nem perto das 13h30. Droga. Logo hoje que é sexta; logo hoje que não vou ter que sair daqui correndo pra voar pra aula. Merda. Logo hoje que tomei café apressado. Cara, que BROCA.


Olho de novo pro canto da tela.


Sabe quando a gente acorda e o sono ainda tá lá... Pois é. Aí desligamos o despertador, fechamos os olhos e contamos dez segundos na esperança vã de qualquer abatimento no danado do sono.  Quando terminamos nossa contagem, vemos que, ao invés daqueles curtos segundinhos, passaram-se mais de dez minutos. Agora você está atrasado. E o sono ainda tá lá.


Diz agora que o diacho do velho é invenção minha.


Voltando à minha situação. 13h06. Agora ele tá bem aqui, pensativo, atrás de mim, olhando enquanto digito. 13h08. Deve estar pensando nas coisas que faz, nas vidas que atrasa, no atraso que é. 13h11.


Eu estou sem criatividade, sem ideias, ou simplesmente sem qualquer vontade de ter uma agora. Ora, porque estou é com fome. São 13h19, e eu vou terminar esse texto. Quero sair logo daqui. O quanto antes. Deixar o velho aí pensando, a semana pra trás, e correr pra pegar o ônibus pra casa. Por quê?


Porque quem tem fome, tem pressa.

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